quarta-feira, 16 de junho de 2010

O que as palavras não falam




Era uma manhã fria de domingo quando conversavam a caminho de um lindo riacho. De mãos dadas caminhavam em silêncio. Ela de cabeça baixa olhando para o chão. Ele com olhar sereno olhava fixamente a sua frente. As pisadas firmes sobre as folhas secas cortavam o silêncio.


Sentaram-se sobre as pedras que cercavam o riacho. O que cortava o silêncio agora era o cantar dos pássaros e o leve barulho das águas. Ela finalmente ergue o olhar e contempla a beleza ao seu redor, arrisca dar uma olhada para o rapaz ao lado e dar um leve sorriso. Qualquer palavra nesse momento parecia inútil. Ele estende a mão e ela o olha um tanto temerosa. Enfim, cede e segura a mão do rapaz que leva ao rosto e sente o toque quente de seus lábios.


Com a mão livre ele aponta em direção ao peito, logo em seguida faz um simples desenho no ar, um coração, e com o indicador aponta em direção a moça. Ela baixa os olhos e sorrir. Ele reconhece que nem sempre as palavras são suficientes e agradece a Deus por conceder-lhe o prazer de num gesto e num olhar expressar o que era então desconhecido. Aprende que é em momentos como esses que se encontra a felicidade. Mas essa felicidade parece durar pouco quando resolve pronunciar algumas palavras. A moça tenta ler em seus lábios as palavras pronunciadas por ele, mas a tentativa parece vã. Ele fala e ela confusa não entende. Olha fixamente em seus lábios a ponto de compreender cada frase.


As palavras foram ditas, mas não foram entendidas. Quando em último ato o rapaz se levanta e faz seu último gesto. Abanando as mãos ela percebe o que está para acontecer. Era a despedida. O destino não o queriam juntos e ela não pôde em nenhum momento ouvir, seus passos pisando as folhas secas no caminho, o cantar dos pássaros e o leve barulho das águas.


A natureza não dotou a moça dos sentidos que favoreciam o rapaz. Ficou cabisbaixa ali nas pedras da mesma forma que chegou, e via o rapaz se afastando a cada passo até parecer um ponto bem longe. Ficou apenas pensando nos gestos incompreendidos dos lábios do rapaz e a certeza de que nenhuma palavra em nenhum momento seria dita nem ouvida.




Obs: Essa "crônica" foi elaborada com o incentivo da professora de Mídia Impressa, Selma Cavaignac, não sei se é uma "crônica" mesmo, mas deu nisso! rs

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Grump na Copa

BRASIL SIL SIL SIL

Imagem do Blog do Orlandeli