Quando se fala de opinião no campo jornalístico, trata-se de um jornalismo subjetivo, o que muitos não aceitam por carregar consigo juízo de valor e por isso defendem a tese do texto objetivo, que leve o leitor a tirar suas próprias conclusões, “pensar por si só”, segundo o ideal iluminista.
A objetividade no jornalismo sempre existiu, o jornalismo opinativo foi o primeiro a ser impregnado na sociedade e era através dele que se faziam as críticas e se conheciam os interesses por traz das notícias. Só mais tarde viria a preocupação em passar apenas os fatos, surgindo assim, o jornalismo informativo. A objetividade no jornalismo surgiu como uma forma de democratização ou uma diferenciação entre o jornalismo objetivo e o subjetivo.
É quase impossível o jornalista manter distância diante daquilo que escreve. O que tem acontecido nos jornais de hoje é a parcialidade por parte de quem escreve, principalmente nos editoriais que defendem os interesses da empresa. Roldo Bartimole que fundou a Point of View, acreditando que o verdadeiro jornalismo será baseado na subjetividade, afirmou que as grandes empresas não informam com honestidade.
Diante disso a parcialidade começa dentro da empresa; o jornalista pode não falar aquilo que quer, mas às vezes é obrigado a falar sobre assuntos de interesses da empresa, mas isso não impossibilita do jornalista não se envolver no fato. O jornalista deve passar informação verdadeira, mas deve também ter a preocupação de criar no receptor, senso crítico diante do fato que está sendo repassado, tendo sempre, claro, bom senso ao expor seu ponto de vista.
A função do jornalismo é formar e informar, e formar incluem questionar, discutir e para isso é necessário que haja interação entre escritor e leitor, é a partir dessa interação que o leitor vai conhecer o que o jornalista quer passar através de seu texto. A tese de que todo texto é tendencioso é puramente verdadeira e se tratando do jornalismo não é diferente, ninguém escreve um texto ou relata um fato sem a intenção de atingir alguém ou fazer com que esse alguém pense da mesma forma. O jornalista não é neutro e esse ideal de neutralidade ainda estar longe de ser alcançado, no momento em que escreve, ele busca atingir um público a pensar assim como ele.
A objetividade é conhecida também como “Teoria do Espelho” e como o próprio nome diz o jornalismo têm que refletir a realidade, mas nem sempre acontece só isso, além de passar a informação sobre o fato o jornalista carrega consigo suas ideologias e opina sobre o que ele mesmo relata.
Criou-se uma idéia de que o jornalismo deve apenas informar o que acontece na comunidade sem se envolver, mantendo distância do fato, mas essa idéia só funciona na teoria, visto que somos seres com emoções e que não podemos simplesmente ser imparciais acerca do fato que estamos relatando, não podemos claro, nos esquecer das diferenças de cada um, mas o alheamento como estilo da objetividade não nos fará profissionais competentes e compromissados diante do que fazemos. Não cabe a nós apenas darmos os fatos é preciso comentá-los e isso não é antiético.
Não devemos nos esquecer das empresas jornalísticas que trabalham muitas vezes para agradar o próprio “eu”, esquecendo assim do interesse público que deve ser primordial. Hoje poucos jornalistas falam do que querem simplesmente para agradar a empresa a quem trabalha e esse não é o verdadeiro papel do jornalista que é falar assuntos de interesse público e não privado.
Opinar sobre determinado assunto não é fácil, é preciso antes de qualquer coisa ter informação, conhecimento para poder concordar ou não com o que se está lendo. Se tratando da verdade no jornalismo, devemos estar atento para chegarmos bem perto dela, já que para muitos a verdade é peculiar e carregamos conosco nossas experiências e sentimentos. Para muitos a verdade é uma utopia, visto que difere muito de pessoa pra pessoa e nem sempre temos resultados concretos, mas nessa busca inconstante o jornalista não se pode achar dono da verdade e sim criar em cada um, espírito crítico e abrir os olhos da população diante o que se passa na sociedade.
Ainda que muitos digam que o jornalista precisa ser imparcial e objetivo diante do fato, é inadmissível esse total desapego às idéias e aos sentimentos de cada um. Não somos seres manipulados - pelo menos não deveríamos ser - não somos robôs para ficarmos alheios ao que acontece em nosso meio. Precisamos ser profissionais responsáveis e ouvindo sempre todos os lados, não podemos deduzir ou achar que sabemos tudo a respeito da opinião pública. Devemos dar espaço a todos, conhecer a todos, só assim podemos tirar nossas conclusões diante do fato que vemos e opinar sobre elas. Afinal não é a toa que somos conhecidos como formadores de opiniões.
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